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Sinopse
E se, num único programa, se pudesse mapear a efervescência criativa do modernismo inicial, o seu galgar de limites, os seus diálogos interartísticos e a sua busca incansável por uma nova linguagem musical? A Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a batuta de Joseph Swensen, apresenta obras-chave do modernismo francês em torno de uma voz portuguesa moldada pelas mesmas correntes.
A abrir o concerto, o Prélude à l’après-midi d’un faune (1894) de Debussy, um marco da história da música gerado a partir da poesia simbolista de Mallarmé. Ao dissolver as fronteiras entre ritmos, harmonia e cor orquestral, esta obra introduziu uma nova conceção de tempo musical, na qual a atmosfera suplanta o argumento e o tema sinuoso da flauta flutua à deriva, como a própria consciência. O Concerto para violino e orquestra (1916) de Luís de Freitas Branco, aqui interpretado por Carlos Damas (solista da estreia parisiense da obra), constitui um feito singular na música portuguesa. Baseando-se na exploração modal e de formas cíclicas mais próximas de César Franck do que do Impressionismo, revela um compositor a navegar entre a herança do passado e uma voz harmónica inequivocamente pessoal, décadas à frente do seu reconhecimento mais amplo. A Pavane pour une infante défunte (1899) de Ravel, uma meditação sobre uma dança de corte renascentista, traz quietude e luminosa contenção orquestral ao programa. A fechar o serão, o ambicioso La mer (1905) de Debussy: três esquissos sinfónicos nos quais o mar se converte em fonte inesgotável de cor, movimento e profundidade emocional; uma obra em infinita renovação, como as marés que evoca. Quatro obras, três compositores, mas uma convicção partilhada: a de que a música, quando livre de convenções, se torna algo próximo da própria natureza.
Alinhamento
Claude Debussy Prélude à l'après midi d'un faune
Luís de Freitas Branco Concerto para violino e orquestra
Maurice Ravel Pavane pour une Infante défunte
Claude Debussy La mer
Ficha Artística
Class. Etária M/6
Apresentação pelo musicólogo Filipe Gaspar (14 de novembro)
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