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Sinopse
A literatura ibérica como mote, a orquestra como palco: dois compositores, dois mundos sonoros, uma mesma convicção de que a música pode contar histórias que as palavras apenas esboçam.
Em parceria com o À Corda Cello Festival, que desde 2020 promove o violoncelo em Coimbra, cruzando géneros e patrimónios, a Orquestra Sinfónica Portuguesa apresenta um concerto construído em torno da música programática de raiz
literária espanhola, sob a direção de Nuno Coelho.
O programa abre com as Danzas fantásticas, Op. 22 (1919), do sevilhano Joaquín Turina, inspiradas no romance La orgía de José Más. Na partitura desta obra, cada um dos três andamentos – «Exaltación», «Ensueño» e «Orgía» - é precedido por uma epígrafe da novela, e cada dança convoca um idioma musical distinto: a jota aragonesa, o zortziko basco e a farruca andaluza. O resultado é um retrato sonoro de Espanha nas suas múltiplas identidades rítmicas e afetivas.
Segue-se o Don Quixote, o opus 35 (1897) de Richard Strauss, um poema sinfónico baseado no romance seminal de Cervantes. Strauss concebeu a obra como um conjunto de variações fantásticas sobre um tema cavalheiresco, confiando ao violoncelo solo – aqui interpretado por Alexandre Alvarez – a voz do próprio Dom Quixote. Nobres, melancólicas e tecnicamente exigentes, as linhas do solista percorrem batalhas imaginárias, visões de Dulcineia e a lucidez final do cavaleiro antes da morte. Lidström toca o violoncelo Rocca de 1857 que foi usado na estreia absoluta da obra, em 1898.
Uma jota, um zortziko, uma farruca e um cavaleiro que combate moinhos de vento. Em suma, a imaginação como única pátria possível.
Alinhamento
Joaquín Turina Danzas fantásticas, Op. 22
Richard Strauss Don Quixote, Op. 35
Ficha Artística
Class. Etária M/6
Em parceria com o À Corda Cello Festival
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