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Sinopse
Na Viena do último quartel do século XIX, um estudante de dezasseis anos e um compositor já aclamado como herdeiro de Beethoven escreveram, cada um, um quarteto com piano: é essa distância de idade e de estatuto, dentro de uma mesma tradição, que este programa coloca em diálogo.
O Quarteto para Piano em lá menor de Gustav Mahler, composto em 1876 durante os seus anos no Conservatório de Viena, é o único sobrevivente da sua música de câmara: restam o primeiro andamento e vinte e quatro compassos de um scherzo, que só voltaram a ser escutados em 1964, em Nova Iorque, após a redescoberta do manuscrito. Apesar da idade do autor, revela já um domínio seguro da forma-sonata, com uma propensão para deslizar rapidamente para tonalidades distantes – traço que se tornaria marca do Mahler maduro. Não é indiferente que Julius Epstein, professor de piano de Mahler, tivesse ajudado a divulgar os quartetos de Brahms em Viena em 1862.
Segue-se o Quarteto para Piano n.º 1 em sol menor, Op. 25, de Johannes Brahms, composto entre 1856 e 1861 e publicado em 1863. A estreia, em Hamburgo, teve Clara Schumann ao piano; em Viena, Joseph Hellmesberger exclamaria: «Este é o herdeiro de Beethoven!». O finale, um «Rondo alla Zingarese» de ascendência húngara, seria orquestrado por Arnold Schoenberg em 1937 e o segundo andamento guarda o «motivo Clara» de Robert Schumann.
O que o programa expõe não é a juventude de duas obras, mas a primeira maturidade de dois percursos: Mahler ainda a formar-se; Brahms já a confirmar-se; ambos a escrever no mesmo género de diálogo a quatro vozes – e a deixar, nesse gesto, a marca de uma Viena que os uniria mais tarde.
Alinhamento
Gustav Mahler Quarteto para Piano em lá menor
Johannes Brahms Quarteto para Piano n.º 1 em sol menor, Op. 25
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