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Sinopse
O exotismo oitocentista chega a Faro com a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o maestro Antonio Pirolli. O programa abre com a Abertura de Tannhäuser, de Wagner, que sintetiza a lenda do trovador dividido entre o amor carnal de Vénus e a redenção de Elisabeth, num confronto que Liszt chamou de “poema sinfónico sobre temas da ópera”. O canto dos peregrinos e a bacanal da deusa desenham um arco que culmina na apoteose da salvação. Segue-se o Capriccio espagnol, de Rimski-Korsakov: a obra, que começou como uma fantasia para violino e orquestra, transformou-se num prodígio de virtuosismo orquestral. O próprio compositor sublinhou que a “variação de timbres” e a “escolha feliz de desenhos melódicos” são a alma da peça.
Tchaikovsky, por seu turno, chamou-lhe “colossal obra-prima de instrumentação”. As cinco secções – Alborada, Variazioni, Cena e Canção cigana, Fandango asturiano – são um desfile de solos para clarinete, violino, flauta, trompa e harpa. Por fim, Scheherazade, a suite sinfónica que Rimski-Korsakov quis que fosse ouvida como “uma narrativa oriental de inúmeras maravilhas”, sem programa definido. O tema grave do Sultão e o motivo sinuoso de Scheherazade, entregue ao violino solo, tecem os quatro andamentos, conduzindo a escuta a um final que, ao contrário de um naufrágio, é sim um epílogo sereno. Com Pirolli no pódio, a OSP leva o público algarvio a navegar por um Oriente honírico, onde o colorido orquestral e a sedução do exótico se encontram sem artifício.
Alinhamento
Richard Wagner Abertura de Tannhäuser
Nikolai Rimski-Korsakov Capricho Espanhol
Nikolai Rimski-Korsakov Scheherazade
Ficha Artística
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